Parecia-me tudo subtraído ao volume mais pequeno possível e concentrado nos teus olhos grandes e claros. Hoje aprendi que os olhos falam muito, mais do que a boca. Os olhos não sofrem o filtro da racionalização pelo qual passam as palavras. As palavras medem-se, os assuntos podem ser contornados ao ritmo do nosso interesse ou até das nossas emoções; mas os olhos estão nus. Estão sempre tão nus, que afirmei hoje a mim própria que é de facto impossível vesti-los e ainda bem; assim percebem-se coisas diferentes daquelas que as palavras nos dão a conhecer e está aí o segredo do mundo: percebamos que para perceber o que os olhos dos outros nos querem dizer, temos de saber transmitir coisas com os nossos. E quando te sentas à conversa com alguém que te olha nos olhos, sem medos, sem preocupações, só com dor e com angústias, entendes que devias parar de ter a mania que confrontas o olhar com quem quiseres porque és o maior, o melhor, o dono do mundo. Há quem te olhe de facto nos olhos. De facto entendes? Há quem se sente à tua frente e seja capaz de derrubar todos os preconceitos mesquinhos que tu e os que te rodeiam criaram acerca do que te envolve. Há quem tenha vivido na merda e consiga escrever três livros iguais ao que tu pensas que conseguirias escrever neste momento da tua vida e nem precisa de ser necessariamente mais velho do que tu. São outras perspectivas e hoje conheci uma petrificante. Desoladora. Que me deu vontade de chorar e confessar ao mundo inteiro que a partir de hoje vou ter uma posição diferente perante tudo. Perante os teus olhos, confesso também. Mudaste a minha vida e só te sentaste à conversa comigo num tom informal. E eu não tive nem medo, nem preconceito, nem ansiedade. E se agora descobrisse que estás aí dentro porque mataste a tua mãe, iria continuar a dizer a quem fosse que a prisão fez de ti um homem, diferente dos outros, especial. Porque os teus olhos disseram-me coisas que eu não sonhava que existissem. Porque senti tantas realidades duras nas tuas palavras mas desvaneci-as num instante quando li os teus olhos e eles me contaram que sentes as coisas como eu, que tens saudades e que te revoltas contra o sistema. O problema é que o teu sistema é de facto revoltante percebes? E o meu… é só inadequado ao meu tamanho egoísmo.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
domingo, 28 de novembro de 2010
Não estou bem. Não consigo parar de chorar e sinto-me mergulhada em dúvidas ate ao pescoço. Não sei o que se passa comigo, o que aconteceu ao meu namorado e porque é que de repente senti o mundo a esbarrar por baixo dos meus pés. Pus tudo em causa num segundo e chorei como se eu tivesse morrido. Não sei o que é isto nem sei se quero que passe, por incrível que pareça. Preciso de gritar, de chorar muito, de confessar coisas e de saber que há alguma coisa de verdadeiro na minha vida. Seja em que âmbito for.
Estou desesperada e preciso de ajuda, nem que seja um abraço teu mas tu não estás. Como? Como é que não estás se és o centro? Assim dispersa-se tudo num pequeno instante. E como é que não entendes isso?
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Entenda-me. Não o consigo tratar por tu; é uma questão de lógica mental: é mais velho, tem o discurso que o meu pai teria e adoptou o estilo de vida do resto do mundo. É um senhor, ponto, fim de frase.
Acho-o deliciosamente interessante e tinha de conhecer que personalidade estaria por trás daquele jogo escrito que confunde frequentemente cuecas usadas de mulher e personagens da bíblia. Percebe-me? O que faz um senhor no auge da sua vida pensar e questionar coisas com que eu, com dezassete anos, ocupo a minha cabeça?
É espantoso e ao mesmo tempo pouco interessante. Sou uma miúda e gosto de adrenalina, de homens com veias salientes nos braços e tatuagens nas costas. E para além de todos os argumentos, o melhor seria naoqueromandarumafodaconsigo. Quando crescer e apreciar outras particularidades da vida ligo-lhe e falamos sobre coisas. Porque o mais inacreditável é que pela primeira vez alguém que se senta à conversa comigo no Chico Lobo sabe quem é o Korrodi. E como se não bastasse, discute-o e aprecia o meu ponto de vista. Repara que ponho a perna esquerda sobre a cadeira. Se contasse à minha esfera íntima de pessoas que o faço não iriam acreditar.
Adoro pessoas especiais e quis conhecer mais uma. E assim vai ser para sempre, até eu desistir de iniciar frases com “E” porque é incorrecto. Sabe(m) quando isso vai acontecer? Nunca. Quero conhecer o sistema para poder jogar nele, já que lhe chamam de combate todos os dias. tu és uma pessoa especial, mas como não o consigo tratar por tu… ticked.
vocês são os primeiros responsáveis pela destruição da música
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Não sei se é de ser uma miúda mas eu tenho aquela tendência natural para andar sobre a linha. Kilometros a fio? Não, anos e anos a fio sobre a linha. Confesso que nunca experimentei um dos extremos para ver como é, nem se quer pensei em tomar uma posição: ou do lado de lá da linha, ou do lado de cá. De cá? Sim, do lado do sistema e das regras, das rotinas e do banal. Também não gosto o suficiente do lado de lá do sistema ao ponto de conseguir enfrentar as consequências que isso acarreta. Estou numa fase de dúvida permanente mas é da discussão que nasce a luz e não me importo quase nada de pensar sobre o que quero para entender o que devo. “Faz porque queres e sentes, não porque deves e tens”.
sábado, 20 de novembro de 2010
Berna, "Circo"
Acordei com o apetite em estique matinal, a primeira refeição é fundamental; tinha a cara num estado brutal. Eu logo disse que ontem ia correr mal… mas mesmo assim ainda abrimos três… garrafas daquele escocês. A rodar quatro picas de uma vez, aquele nevoeiro vejo agora o que me fez.
São… oito e meia da manhã; Berna, às nove tens de estar em Campanha. Ya, entrevista para o emprego! Se não soubesse para o que ia, acordava mais cedo.
Unga! Fui no meu Volvo de 50 lugares sentados, 70 de pé e 10 reservados para ressacados. A cota que resmunga pelo lugar da frente, o cota que o recusa – velho não se sente – através do meu passe social entro num circo chamado Portugal. Bem melhor que Cardinali, cada gravata pertence a um postal; eu saí no meu local em estilo pedonal mas espera aí… estamos longe do final(?)
Sê, bem-vindo ao circo; se não te ris, choras… choras de tão ridículo. Na fuga ao fisco eu não estou, comer marisco eu não vou; no meio disto, onde estou? Ninguém vai ver quem eu sou. (twice)
Mais um na fila a preencher a ficha, está feito – o resto é que me lixa. Saiu-me na rixa uma cena para lojista e eu sem gel nem crista; (...) bazei, não sei quem se fodeu mas prefiro uma fezada apesar de ser ateu. E a seguir eu, fui a pé até às Antas receber o meu/ contributo ao estado do ano passado. Passado duas horas lá fui chamado. Gastei mais do que recebi e no fim nestum – pensei, ainda em jejum, Portugal é como um pai! Só temos um (…)
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Sonhos, por enquanto tenho poucos mas ainda tinha menos saudades destas insónias. Destas paranóias de e se tudo não corre de feição. E se não há mesmo nada depois disto? Se as coisas passam devemos saber usar os sentidos e desfrutá-las a cada segundo. A cada passo. Passo? Para onde? Pensar destrói-me, desmembra-me.
Dei por mim a chegar a casa e a pedir licença para tirar o casaco. Para quem? Pois para ninguém porque estava de facto, sozinha. A minha gata não retorquiu e por isso presumo que também não me conteste. Se eu fosse animal e soubesse que sei pensar, provavelmente diria algo desconcertante ao meu dono que pede licença para tirar um casaco na sua própria casa e sem ninguém no mesmo espaço. Mas eu tenho a certeza que sou diferente. Imagino muito, crio pessoas, historias e mundos. Coisas que quero ser e que quero esquecer que já fui. Quero mostrar que cresci, que mudou tudo.
Tudo menos o meu tema central. Isso não se esquece assim, nem nos pergunta se queremos que fique. Talvez daí o meu medo subsequente se fazer valer o que digo e o que faço e talvez daí o pedir licença a ninguém se posso tirar o meu casaco. É importante saber que nos contemplam e que ficamos marcados por qualquer e nenhuma razão. Não somos nada a mais nem fomos sequelas de algum desenvolvimento anormal da Natureza; é provavelmente disso que decorre a necessidade de afirmação, que o extremo categoriza de ambição quando entra no seu campo mais complexo. Os extremos são como as paixões, deixam-nos cegos e desmedidos, mal calculados e mal calculadores; fazem-nos esquecer que somos um e passamos a ser o que ele pretende, sem olhar a causas, a consequências.
Mas que medo tem este mundo das consequências? Depois disto pode já não haver nada; e se houver, quem nos vai perguntar se fugimos da norma noutra vida? Acho que o sono é uma pseudo-experiencia do paranormal que nos espera.
Conseguia continuar neste rol de problemas originados por problemas o resto da noite. Da semana. Do mês. Do ano. Da minha vida. Eu não acho que seja especial, acho-me atenta e como em tudo há que decidir se queremos fugir ao que queremos ou enfrentar as consequências do que escolhemos para nós. E eu escolhi isto para mim… Só não sei lidar com derrotas. Mas já sei bem o que são consequências.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
há qualquer coisa em mim que me faz adorar ser o amor da vida de alguém
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
strange track
A dinâmica é uma das particularidades que mais aprecio na Natureza. Soa-me inacreditável mas familiar. Soa-me ao que o homem quer um dia vir a ser, perfeito. Lembra-me do Darwin e da Teoria das Espécies e da estatuição de que o Homem é o todo-poderoso mais complexo e mais audaz que os restantes. E porque não existem leis da Natureza que os homens ainda não saibam que existem? Pensar destrói. Mas é o meu vicio. A minha fraqueza.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
sábado, 23 de outubro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
um bocado de sentimentalismo procura-se; ofereço racionalidade para troca
Quero ser uma mulher sucedida mas sou uma miúda e não consigo, para além de pensar a longo prazo, concretizar situações para ver concretizadas aspirações. Não consigo. Dizer não a algo já me soa terrível e ainda por cima, não consigo faz-me sentir ultrajada, ultrapassada, vencida. Não consigo conviver com a frustração, sublinhei demasiado a minha veia determinada e confesso que, por demasiadas vezes, não tive de me esforçar muito para me realizar. Foi surgindo ou então não fui pensando. Já não suporto mais ter de me interromper a mim própria e quero explicar o quão me sinto desesperada por não conseguir ser minha amiga; não há factos que me apoiem como exemplo do que vou sentido nos ínfimos da minha consciência mas quero arranjá-los à força. Preciso de os encontrar. Preciso de respostas, de explicações. De qualquer coisa palpável e suficientemente esclarecedora, que me ocupe o cérebro e, já que não consegue parar quieto, pelo menos que o distraia.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
domingo, 10 de outubro de 2010
sexto sentido - estado: a limar arestas
Acho inacreditáveis as concepções de Freud mas sobretudo ainda mais incrível, a forma como mudaram o mundo. Portugal é um país de acho´s, de facto, e embora o meu seja apenas mais um, tenho aquela mania dos pseudointeligentes que não me deixa em paz e me destrói a cabeça. Agora estou a ouvir o Rui Veloso na minha segunda consciência apesar de não me soar nem indicada nem de bom senso para o caso.
Gosto de símbolos especiais das coisas; não gosto é da palavra «coisas». Quer dizer, gosto demais para a desgastar da forma parva com que toda a gente o faz. Aprecio imenso coisas pequeníssimas mas não me contento com pouco, digo sem medo de revelar o meu paradoxo porque é de facto verdade. Todos os álbuns do Sam the Man têm uma particularidade incrível: as suas iniciais querem escrever ESPECIAL - Entre(tanto); Sobre(tudo); Pratica(mente). O próximo vai ter de começar por E de novo e acho que lhe convém manter a regra dos parênteses. Não suporto que confundam aspas com parênteses, dá-me raiva.
(...)
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
de facto
Na minha modesta e frágil opinião penso que me devia ser dado o previlégio de me sentar à conversa com algumas pessoas que de alguma maneira são especiais para mim; depois de explicar umas outras coisas de um outro campo semântico ao meu irmão, iria provavelmente implorar para conhecer alguns dos músicos, na literalidade máxima do termo - adoraria expor a minha ideia calma e tranquila de uma adolescente cheia de coisas na cabeça a uns tais senhores grandes, aqueles que mergulham as mãos em petróleo e fazem o mundo derramar «lágrimas de crude» [fim de citação]. Os ciclos são de facto algo importante, universal e necessário e quem tentar contornar ainda mais a questão que se sente também à conversa comigo; o mundo subsiste assente numa curva transversal que se rege pelos picos e pelas depressões geradas pela dinâmica do magma de uns vulcões. E acho que também tenho noção da inconsciência que cometo ao usar «uns» de forma tão leviana, mas tenho realmente em conta a ideia de que são qualquer coisa muito pouco definida. Todas as épocas prósperas tiveram o seu momento sequencial de crise, todas as cadeias alimentares tiveram e vão ter para sempre um início e um fim, todas as modas tiveram um retorno e todas as mulheres se deitam com um homem que já amaram muito em tempos.
Uma coisa que ainda não sei e que ninguém me está disposto a explicar, é quem é que inventa as palavras. Quem é que assina por baixo de uma proposta para uma palavra nova. Isso e onde é que está o cheque, o dito cujo, onde o Bill Gates dá metade da sua fortuna instituições de caridade. Que papel vale assim tanto dinheiro e tem tanto poder? Acho delicioso e de tal mistério que merece sem dúvida a minha curiosidade, se me conseguirem entender a ideia...
Eu já consigo entender ideias. Outras, diferentes da minha. Foi o primeiro e melhor fruto que tive da assimilação de regras e senti-o de tal forma recompensador que até já entendo o que implica desrespeitar outras (regras, pois claro).
O inevitável nesta história é o aniquilador de padrões,ciclos&rotinas que todos os miúdos de 17 anos têm a revestir-lhe a alma.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Também não troco a ordem das palavras, mas acho demasiadas vezes que as coisas podiam ter outros nomes, que a vida podia ser outra; mas acho isso tão difícil como a alteração da fisionomia dos automóveis. São factos que prefiro encarar assim, como inquestionáveis dentro de mim, mas completamente refutáveis e frágeis. Não porque me considere burra, porque nem o seria educado e já me ensinaram muitas vezes que apenas frontal, nunca mal-educada.
Mesmo que as coisas se desenrolem monstruosamente rápido nas nossas mentes, é importante que os outros não o percebam, e partir desse princípio pode ser mesmo tarefa árdua. Mas tudo o que se processou até agora no mesmo sentido não pode desejar este fim, com certeza. Então acho que me cabe a mim, que tenho uma vida pela frente e uma casa cheia de coisas raras e saudáveis, ensinar e ir deixando perceber o quão recompensador é experimentar as coisas por nós mesmos. O problema está em quem não sabe como o fazer, em quem pensa demasiado nas coisas que sente e que processa dentro de si do que nas verdadeiras coisas do mundo. Os médicos especializaram-se tanto que já não conseguem ter uma opinião geral sobre os problemas. Os filósofos têm um papel importantíssimo nestas áreas e parecem invisíveis. Talvez seja por falta de pontes entre os problemas que as pessoas não pensem no particular como parte integrante do geral, e queiram sempre com muita confiança coisas que nem sabem ao certo se vão poder ter ou conseguir. E não falo das materialices de hoje em dia, das casas na praia, dos cruzeiros no verão. Falo de experiencias sensíveis e quase milimetricamente impossíveis de se dar enquanto matéria, mas enormes, gigantes, arrebatadoras enquanto papel principal das nossas mentes e pior, dos nossos corações.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
terça-feira, 31 de agosto de 2010
sábado, 28 de agosto de 2010
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
sábado, 21 de agosto de 2010
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
a terra a tremer e a rachar, o mundo a submergir
esta praga desta raça humana a perder o control
à espera de um cometa, a cozer o planeta ao sol;
temos os dias contados!
falam-me em reciclar: é tarde demais! (é tarde demais)!
já não há volta a dar porque isto nao estava preparado
nem para o betão nem para o aço;
mataram a vida na terra e agora procuram vida no espaço.
está tudo louco e eu não entendo esses critérios
familias são suprimidas, enfiadas em lotes de prédios
somos o cancro do planeta, e em estado terminal;
é a extinção da nossa raça, é o juízo final
vegetais e animais extintos, desapareceu tudo...
tudo! o mundo chora lágrimas de crude.
apocalipse pela TV, vou-me sentar e apreciar o início do fim.
com as devidas aspas e um pedido de desculpa por divulgar antes de sair a edição final

