"(...)
Hoje somos robots vivos, moldados pela Norma
que transforma homens livres em escravos de uniforme;
mas sinto um despertar, como vindo de um sono profundo
é o alarme para irmos à luta!
porque somos mais carne para os abutres que se sentaram no trono do topo do mundo!
Assumo um novo rumo,
nenhuma ditadura me proíbe;
fortuna de uma nação é a sua cultura e não o peso do seu PIB...
É contra esse governo mundial
que pede para não sermos espirituais;
Aquilo que criou hierarquias, dividiu o mundo em fatias e no entanto ainda te diz que "os Homens são todos iguais"."
El Sayed em Cosp'Acapella, HiphopSouEuLx
sexta-feira, 5 de abril de 2013
sexta-feira, 15 de março de 2013
domingo, 7 de outubro de 2012
Este blog não faz sentido. Escrever sobre mim não faz
sentido porque eu não me conheço assim tao bem… ainda não sou ninguém se quer.
Este blog aumenta a minha auto-estima de forma estúpida porque me justifico ao
meu alter-ego acerca do que faço ou penso. Isto é, legitimo-me; procuro fazer
isso a toda hora porque ainda não sei do que gosto na verdade. Prometo calar-me
mais daqui para a frente. E isso devia ter escrito quando o senti na pele mais
do que nunca… assim que cheguei a casa de novo, respirei fundo e pensei: sente,
não digas nada a não ser que alguém se magooe se não o fizeres.
Hoje o meu irmão falou-me sobre o mundo que é um sítio
horrível onde as pessoas não vêm que tu és lindo constantemente; custou-me porque
tenho-me sentido excelente no meu mundo onde só relações sociais existem.
Encarar que lá fora todos somos diferentes de facto, tal como eu estudo e
debato mas não tenho noção… todos temos um valor diferente a transmitir ao
mercado e isso tem-se tornado um assunto muito sério. Seriedade, contrária à
minha espontaneidade; mas isso nao tem necessariamente de me assustar. Tudo se
faz e acontece, agora, se agarres a oportunidade deste instante e não te
focares no que vais pensar no instante seguinte sobre isso que acabaste de
fazer.
Nem todos têm de aceder ao meu pensamento. Ele por si só
basta.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Era isto que me fazia falta. Fazer coisas. Ser útil. Estar de
acordo comigo. Ir. Realizar. Ver o resultado do trabalho ou do esforço.
Descansar meritoriamente. Deitar a cabeça na almofada e sentir-me cansada e a
precisar de 8h de sono. Não mais. Sono a mais interfere, carne vermelha ainda
mais interfere e a combinação de ambos destrói o meu espírito. Voltei a
encontrar-me e até acho que nunca tinha estado tanto em mim. Sinto-me a
crescer, com tudo pela frente mas com alguma maturidade; a suficiente para me
fazer pensar que cada momento é decisivo. Cada instante não é mais nem menos
que ele próprio, desfrutá-lo é o suposto. Se o sentirmos e fizermos de acordo
com aquilo que ele nos pede, vamos ter uma vida feliz e calma; o “agora”
determina todo instante seguinte e quando esse instante seguinte se fizer
sentir como “agora”, vamos sentir paz por termos dado o nosso melhor no anterior.
Disciplinarmo-nos é a única forma de nos tornarmos melhores,
e portanto, de nos conduzirmos aquilo que projectamos sobre o que queremos ser.
Pessoas melhores, mais felizes, mais satisfeitas. Mesmo que isso implique um
certo desconforto, que provo agora com sabor e cheiro, que é só um desconforto
inicial. A vida ensina-nos e quando abandonamos o nosso método habitual para
lidar com as situações, se soubermos que essa alteração foi para chegar a um
fim de facto gratificante, isso não nos dói tanto. Ou nada. E mudanças doem
sempre, seja de que forma for.
Ando cansada demais para parar a pensar. Mas nunca deixo de
pensar muito e bem, em todas as situações de actividade. Essa diferença
mostra-se-me como a barreira entre questionar as coisas mas não morrer por
dentro com isso. Porque quando pomos em causa, deixamos de conseguir encontrar a
plenitude ou a perfeição… os argumentos, os prós e os contras se forem
demasiado estudados e avaliados, em 70% das situações com que nos confrontamos revelam-se
inúteis, vazios de sentido. Precisamente por os termos explorado demais. Nos restantes
30% do que nos acontece no dia a dia, é importante questionar profundamente prós
e contras se formos juízes. Eu vou sentir-me realizada quando tiver todos os
dias da minha vida, um bom período de horas em que tenha de questionar coisas
quase até ao fim. Para o juiz esse exercício de questão acontece dentro de parâmetros
rígidos é certo, mas não deixa de ser eminentemente interessante.
Descobri-me outra vez mas não tive grandes surpresas. Se calhar
por isso, por me estar a descobrir “outra vez” apenas… o pano de fundo sempre
esteve lá. Ele só precisava de calma. Tenho tido demasiada agitação mas nenhuma
frutífera e agora… agora é o momento. Este instante irá condicionar o próximo
enquanto eu o sentir como “este mesmo instante”, vou fazer de tudo para o desfrutar,
para aprender com ele e com isso, rever a minha tese sobre as Coisas, sobre o
mundo, sobre mim até.
Sou feliz. E livre!
quinta-feira, 12 de julho de 2012
"love me two times baby, love me twice today.
love me two times [boy], I'm gonna away"
sem despedidas, vou só apanhar sol e ser livre de facto durante dois meses. depois regresso ao mundo
love me two times [boy], I'm gonna away"
sem despedidas, vou só apanhar sol e ser livre de facto durante dois meses. depois regresso ao mundo
sábado, 7 de julho de 2012
Ponho setenta barreiras ao brilho dos meus olhos quando te encontro por acaso, isto é, sem termos combinado encontrar-nos. Costumamos falar demais até, mas contigo aprendi a pensar três vezes antes de falar. E como tal, tenho pensado em como e quando dizer-te isso, que me marcas imenso só pelo teu espírito. Agora que me lembro, esse desabafo saiu-me de facto, num momento de descanso pós-sexo, ainda nús um sobre o outro deitados, tortos na cama e nas costas; confessei-te que "me apaixonas pela vida a cada segundo" e apertaste-me depois, sorrindo imenso e com o olhar mais doce que tenho visto em ti. Eu sei que sabes o que não digo, e também tenho noção que penso demasiado nisso. Mas sabe-me bem, isto afinal é o que eu sou: sem perguntas, sem declarações com efeito implícito de prazo de validade, sem pensar se seremos a alma gémea um do outro. E por isso mais interessante se torna: depois de pensar em todos os "não bruna, não aches que é amor para sempre porque... tu não és isso" e de portanto, criar as tais setenta barreiras de limite ao meu carinho por ti, encontro-te sem estar à espera e fervilho por dentro ao ler o teu olhar ansioso por um beijo quente. Quando decidi ir embora já nos tínhamos envolvido, e de forma alguma julguei isso como um entrave, mas há aqui uma rede de química que tenho tentado quebrar por mil e uma razões mas que se verifica de facto. E por isso olho para o teu meio sorriso e penso no Algarve e na minha decisão de ir sem pensar porquê nem como, o que inevitavelmente me dá um nó gigante na barriga. Mas irra, eu já sabia que ia ser assim. Não posso pensar, tenho de viver só. Quando essa minha experiência chegar ao fim ligo-te para irmos ao Avante, e depois ainda voltamos a Coimbra para três dias sem sair da cama a não ser para ir buscar erva e vinho do Porto, sem ver a luz do dia mas a alimentar a nossa luz que ainda nenhum dos dois entendeu de onde vem. Vou ter saudades tuas, muitas. Eu volto, espera por mim.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Até a minha pele tinha falta de sexo decente. Acho que vou sentir a tua falta quando for embora, mas logo se pensa nisso... vou ler o livro que me deste ao sol ou sob a lua, lembrar-me da tua quase euforia matinal e sorrir. És uma pessoa especial, o mundo devia agradecer-te e eu também; quando voltar, se estiveres por cá, sei que terás um abraço para mim. Ou até um beijo com sabor a menta, quem sabe. Se entretanto tiveres partido na concretização do teu destino, que é o de pertencer à Natureza, e tiveres encontrado um sítio com cocos e bananeiras onde "a maior preocupação seja que para a semana chove e tenho de tapar as batatas", sorrio novamente como fiz enquanto lia o "The Doors of Perception" e sinto, mais uma vez, a tua tranquilidade em mim. Talvez até com mais força do que sentiria no abraço de Setembro. Obrigada, ensinaste-me um pequeno segredo... é preciso ser-se feliz. Realmente feliz.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Se alimentar o que vai na minha cabeça vou levar-me à ruína.
Quero sair daqui, lavar a alma e o corpo.
Eu estou bem, tudo corre bem como
costuma. Vou fazer as cadeiras todas mais uma vez, e com boas notas, cá em casa
vai tudo nos conformes e tenho-me sentido tranquila porque ouvir um homem
excelente contar-me o que se passa na sua cabeça agitada é ainda mais espectacular.
Mas sinto-me vazia. Quero viver, não estar presa por estas
amarras institucionais que não me deixam sorrir quando quero, nem correr atrás
do que me apaixona de verdade.
O meu curso é o que eu sei fazer bem, é o meu talento e eu
defendo muito que toda gente deve seguir o seu. Mas agora que o concretizo, que
olho em redor e penso se realmente me valerá a pena, sinto-me uma mentirosa
porque me engano a mim própria. Eu quero saber da actualidade e quero defender
até ao fim quem não o sabe fazer por si. Quero concretizar justiça, verdade,
igualdade material, isto é, tratar por igual o que é igual e por diferente o
que é diferente. A questão é que para que isso aconteça num mundo como este em
que me encontro, talvez necessite de uma postura perante a vida que eu não
quero ter.
Não consigo aceitar tranquilamente a ideia de dar todo o meu génio
abstracto a um sistema, porque a vida é só isto: o agora que se faz sentir
neste sistema, que só é este e não outro porque um conjunto de condições o proporcionou.
Quero sentir, viver. Correr e ser livre. Viajar e trabalhar
ao balcão de uma esplanada à beira mar num país quente e pobre, onde possa concretizar
justiça com as minhas mãos e não com as minhas palavras.
Estou a sentir o quase colapso disso mesmo. Não quero voltar
à faculdade mas vou fazê-lo porque os meus pais não têm culpa do meu devaneio,
e no fundo, nunca o iriam compreender mesmo que lhes explicasse que eu também não
tenho culpa dele. Quero ser feliz e parar de achar que estou apaixonada pelo
mundo só porque tenho ânsia de sentimento; nunca vou casar, e se tiver filhos
sei que o pai deles não vai estar ao meu lado durante muito tempo. Não sou
capaz. Não sei fazer isso de fechar os olhos e me entregar a alguém. Por isso
gosto do Adrien e o magoo todos os dias, quando diz que me ama e me quer para
além do universo. Porque não quero amar, nem ser amada porque sei que não vou
saber retribuir. Há mil coisas à volta de um amor resignado que eu quero viver.
Quero ir sozinha para longe daqui e sofrer na pele a dor que é dormir no chão só
para ajudar alguém. No fundo, eu sei que sou eu quem precisa de ajuda.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
I love all the many charms about you
above all, I want my arms about you
don't be a naughty baby
come to mama ,come to mama do
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Acho graça ao carinho que pões no caminho entre o sofá
(situado à frente da televisão onde jogaste FIFA09 durante hora e meia) e a
secretária onde me encontro, vidrada num site de merda qualquer, provavelmente
a ouvir uma banda de trip-hop que para mim é nova. Perguntas-me quem são esses
que estou a ouvir, sorris com metade da boca e a meio-gás confessas “às vezes
esqueço-me que tens 18 anos, mas sabe bem lembrar-me”. O teu meio sorriso é qualquer coisa que eu
penso ter até uma textura definida. Se conseguisse agarrá-lo levava-o comigo e
trancava-o numa caixa colorida, como a tua alma também é. Não te conheço bem. Não
te conheço, aliás. Sei como reages às minhas brincadeiras, presumo que estejas
de bem com a vida porque só essa conclusão é possível nas tuas histórias,
conheço o teu cheiro e sei quando pões perfume atrás das duas orelhas e não
apenas na direita como fazes habitualmente. Não queres casar comigo, nem te
vejo apaixonado como eu também, honestamente, não estou. Mas invejo-te, ao
mesmo tempo que adorava ter muito e bom sexo contigo. Invejo a tua aura, límpida,
cristalina e que contrasta com a tua pele mais morena que a minha; as tuas mãos
atraem-me seriamente, e não, não se deve à minha falta de sexo - não é tesão de
mijo, como lhe chamas – e por isso nos imagino várias vezes nus, ou só eu a
despir-me para ti, ou tu a agarrares as minhas ancas para me virares de costas
e me poderes lamber, como gostas.
Não tenho muito bem um nome para dar ao que sinto quando te
vejo entrar, ou até só quando sei que vais chegar dentro de momentos. Não consegui
resistir ao teu charme encantador naquela noite, de camisa, laço e bengala. E o
meio sorriso, sempre. Não é que não goste quando ris com aquela alma colorida
toda. Adoro. Aliás eu adoro é ver-te bem, sentir-te bem. Seguro, calmo e de bem
com tudo. Quero tudo isso para ti, e sem merdas, gostava de ser eu a dar-te
isso tudo de bom, estar ao teu lado e ser a tua companheira. Ensinar-te o cubo
mágico e ouvir-te falar (ainda mais) de Newcastle, dos teus amigos
Paquistaneses, Indianos, gays não assumidos ou viciados em má cocaína. Se viajássemos
juntos gostava que fossemos dar uma volta ao mundo inteiro porque vejo em ti o
melhor dos juízes. A ponderação com atitude não resignada mas também não
ansiosa. E por isso me mostrarias o Mundo, como se o conhecesses mas com a
humildade de quem tem noção que não sabe nada. Aprenderias culinária dos quatro
cantos do planeta, e eu provava da tua mão como fazemos agora quando cozinhas
aqueles pratos que eu nem sei pronunciar, quanto mais apreciar decentemente. Eu
conheceria a maior variedade de Wisky’s possível, e sei que também ias gostar
de estar lá a ver-me ficar quente e sorridente com o arrepio que o bom wisky me
provoca no fim da espinha. Fumaríamos erva de todos os sítios só para saber
onde há a mais espontânea, isto é, a menos cuidada mas mais saborosa. De erva gostamos
os dois, como de Acid-Jazz e de sexo em locais públicos.
É isso que sinto. Vontade de ver, conhecer e viver ao teu
lado. Muito por saber que és a personificação de tudo o que eu quis um dia ser,
calma e segura, mas em 50% apenas porque sim. Porque um dia chegaste ao spot
onde fumo erva e bebo wisky com o meu primo de quem nunca pensei vir a gostar,
e iluminaste qualquer coisa no meu espírito. Vamos lá viver esse meio amor; o
amor inteiro tem-me doído demais e eu amar amo o meu Adrien que não quero ao
meu lado porque ele me ama demais também. Também aprecio o teu meio sorriso,
assim como vamos gostar de comprar uma auto-caravana a meias. Até lá, e no
caminho, eu esqueço o teu fetiche por mulheres mais velhas e tu ignoras os meus
18 anos do papel. Só para sermos o que defendemos ser a vida: um mergulho de
cabeça num mar que nem se sabe se existe.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Should I fall out of love, my fire in the light
To chase a feather in the wind
Within the glow that weaves a cloak of delight
There moves a thread that has no end.
For many hours and days that pass ever soon
the tides have caused the flame to dim
At last the arm is straight, the hand to the loom
Is this to end or just begin?
All of my love, all of my love,
All of my love to you.
The cup is raised, the toast is made yet again
One voice is clear above the din
Proud Arianne one word, my will to sustain
For me, the cloth once more to spin
Yours is the cloth, mine is the hand that sews time
his is the force that lies within
Ours is the fire, all the warmth we can find
He is a feather in the wind
domingo, 17 de junho de 2012
domingo, 3 de junho de 2012
Agora a estudar lembro, logicamente, das aulas a que não
fui. Lembro-me é da falta que elas me estão a fazer, mas também sei porque é
que não fui e nem me arrependo assim tanto; não se surpreendam com a facilidade
em seguir sem olhar para trás, chega a roçar no sem-escrúpulos… Bom, em todo
caso, vem-me à cabeça particularmente as aulas de Introdução, este semestre
optei por umas aulas do professor que me fez a prova oral - numa faculdade onde
essas coisas contam ganha quem fizer melhor o jogo e nem custa nada engrossar a
tendência porque de facto, aquele professor é uma força da natureza. Tem no
máximo 28 anos e veste-se de uma forma classicamente interessante - e o termo “classicamente”
acompanho-o de conotação muito acentuada- mas para além do charming exterior, há algo
de mágico no seu discurso. Tomei isso como prepotência até dobrar a opinião e sentar-me
numa sala pequena, quase à sua frente numa aula qualquer. Digo qualquer porque
não fazia ideia do ponto em que estava na matéria, e dizendo a verdade, nem
sabia qual era a matéria.
Toda esta descrição apenas para chegar aqui: disse então o professor,
mais ou menos nestas palavras… “como é que nunca pararam para observar a melhor
particularidade desta influência que o jurídico provoca nas nossas vidas? Não há
pergunta que para vós não seja respondida começando “por um lado…” e termina
inevitavelmente com “mas pelo outro”.”
Não falamos aqui de retórica, de pôr no discurso uma forma
que seja benéfica à nossa posição ou ideia que defendemos. Isto é, não se trata
de dizer primeiro a parte má deixando o que achamos correcto para o fim para
que caia num tom melhor. Ou vice-versa. Não é isso. Quando alguém nos conta uma
história, quando qualquer coisa acontece diante dos nossos olhos ou nos é
perguntada uma opinião/decisão, nós os juristas –permitam-me- temos uma inevitável visão com três
compartimentos estanques: de um lado, uma parte da história/facto, do outro, a
outra parte do facto ou da história. No meio situa-se o tanque da verdade e
ambas as partes, hão-de constar dele, em tópicos ou pontos que pareçam ser
dignos dele. Não pensem isto tudo como uma complexidade provocada por quem
explora um género de linguagem muito exigente, isto é, diversificado mas
sensível.
Há uns tempos, entrei numa loja de velharias muito estranha mas
com uns livros deliciosos. A Sara ficou em êxtase e quis mesmo levar um e o
senhor, presumo o dono, ofereceu-lho e deu um bom discurso de 20 minutos, em
tom muito apressado que eu diria quase louco. Mas disse coisas interessantes,
como o facto de em tempos ter escrito muito bem. Chegou a publicar uns livros
(que andavam por lá perdidos entre as dezenas de pilhas até ao tecto, mas que
ele fez questão de ir buscar) mas que depois se burocratizou demais. Formou-se
em Direito e no tempo dele, “oh menina as coisas tinham o seu valor”; trabalhou
muitos anos ligado a grandes advogados. Dizia que a sua comunicação estava
acorrentada pela linguagem em que permaneceu durante largo tempo e eu
percebo-lhe a angústia.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Tive um momento. A minha cabeça está frita de mais, de
facto. Achava que a coisa podia passar em claro… elas não matam mas moem. Devia
recompor-me. Pelo menos devia ter recomposto algumas faltas que dei ao
organismo há umas semanas atrás, essa doeu especialmente.
Fora isso, não sei o que se passa. Só sinto isso, como causa
de todos os males espirituais; é o meu pano de fundo em todos os assuntos: preciso
de descansar, reorganizar, para voltar mais calma. Isso inclui-te a ti e a tudo
em geral… mas nunca sei parar. Devia tanto. Fechar os olhos e ter ainda mais
calma. Fiquei um bocado surpreendida por ouvir dizer, da boca de várias pessoas
que conheci há alguns meses atrás e que me têm acompanhado desde então, que sou
uma pessoa sempre calma. Depois parei um momento, olhei em estilo barra
cronológica como tenho reagido tanto a situações de drama como de felicidade,
de forma extremamente calma. Ponderada. Não se inclui nesta dedução a premissa #homens.
Bolas, estava a esforçar-me para não falar em homens desta vez; inevitável.
Vou descansar, mais uma noite, sobre os pensamentos
extremistas em que patino antes de chegar ao limbo. Antes de adormecer o mundo
é algo que não sei bem como caracterizar numa palavra, nem tanto numa expressão
se quer; pensando bem, nem com um desenho, tridimensional e em movimento,
conseguiria explicar o que significa para mim “o mundo” ou que baste, “a
realidade”, antes de adormecer. É por isso que costumo descrever Pensamento
Jurídico como isso mesmo, um objecto sem forma definida, tridimensional e em
movimento no escuro/vazio. É que “o mundo” que imagino na minha mente antes de
a deixar cair no sono tem exactamente o mesmo requisito que o Pensamento Jurído
para que possa ser concretizado/finalizado: precisam da experiência. Do terreno,
da situação em concreto que é única e singular e por isso jamais poderia ter
sido prevista. Pode enquadrar-se em muitas categorias mais amplas mas ela nunca
aconteceu antes e portanto, ninguém anteviu as consequências que dela podiam
advir. No mundo que imagino antes de desligar o meu turbulento consciente, as
coisas só existem “a metade”; as multiplicidades de planos ou ideias pecam por
não serem experimentadas no terreno, de verdade, no mundo que há quando acordo
e me esqueço do que teria visto umas horas antes.
Estou a divagar demais, vou-me perder. Como sempre.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Who's Gonna Save My Soul?
Gnars Barkley
Got some bad news this morning
Which in turn made my day
When there's someone spoke I listened
All a sudden has less and less to say
Oooo how could this be?
All this time I've lived vicariously
Who's gonna save my soul now?
Who's gonna save my soul now?
How will my story ever be told now?
How will my story be told now?
Made me fell like somebody
Like somebody else
Although he was imitated often
Feel like I was being myself
Is it a shame that someone else's song
Was totally and completely depended on?
Who's gonna save my soul now?
Who's gonna save my soul now?
I wonder if I'll live grow old now
Getting high 'cause i feel so alone now
And maybe it's a little selfish
All I have is the memory
Did I never stop to wonder
Was it possible you were hurting worse than me
Still my hunger turns to greed
'Cause what about what i need?
And oooh
Who's gonna save my soul now?
Who's gonna save my soul now?
Oh, I know I'm out of control now
Tired enough to lay my own soul down
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Enquanto almoçava com um amigo e ele me contava como eram as
paisagens de Angola, de como o racismo era a realidade presente “nas casas, nas
ruas, nas pontes…”, dizia-me ele também que acha que vai morrer sozinho porque
nunca ninguém o irá aturar à mesa. Demora talvez hora e meia num simples prato
de filetes com arroz, mas continuo a achar-me um caso mais grave por demorar
uma vida a saber entender-me.
Voltei a chorar de saudades do amor da minha vida que mandei
pela janela. Faz isto sentido? Não faz. Tenho um grande amigo, o Y, que
costuma dizer que nós os dois juntos na cama a beber whisky daríamos um quadro,
uma música, um poema e até uma escultura. É interessante o nível de sinceridade
que atingimos juntos, não sei se pela facilidade com que nos rimos do facto de
jamais virmos um dia a ser um casal, se pela beleza da nossa relação assentar
nessa amizade com atracção e sem ciúme que agora, já mais crescidos do que no
primeiro beijo, descobrimos que existe e que é sublime, de facto. Sinto-me
calma depois de ter sexo com ele, parece que a nossa química significa estarmos
sempre prometidos a alguém, e hipocrisias à parte, toda gente no mundo gosta
desse feeling.
Voltei a dormir com o X e odeio-me por isso. Odeio-me
por me ter apaixonado e não saber recusar pôr-me de joelhos à frente dele
porque gosto de facto dele, dos seus olhos verdes e da sua voz marcada pela
tequilla… gosto daquele quarto. Meu deus, como gosto do calor daquele quarto. Traçou-me
a capa e disse-me que me queria feliz e não subordinada como sou com ele, que não
me pode ver de longe que já me quer perto. Mas nenhuma dessas palavras me fez
apagar a raiva que senti quando me vesti e acalmei a agitação do álcool no meu
sangue. Não o quero ver mais, perfeição do demónio que me leva para a cama a seu
belo prazer e mais grave, sabe disso… nem
quis acreditar que tinha voltado a cair na esparrela. Ou melhor, não quis
acreditar que ele achasse que quem canta o cântico das sereias sou eu. Pediu-me
que prometesse que aquela era a ultima
vez que estávamos juntos, pelo menos nus. Gritei com ele, bati-lhe e só não chorei
por vergonha. Eu sinto-me enfeitiçada pelo seu discurso inteligente mas sou
solteira, durmo com quem eu quero e lidar com as consequências morais disso só
no âmbito do meu interior, não tenho ninguém em casa à minha espera a quem vou
ter de mentir. Ele tem e por isso, que se amanhe e mais importante, que se
afaste de mim pelo amor de deus.
Voltei a entrar em apatia. Verifiquei se seria sintoma
pré-mestrual e ainda bem que o fiz, porque o era realmente. Fechei os olhos,
acendi um cigarro enquanto desejava que fosse uma ganza e caí em mim por
momentos. Breves instantes em que me deparei comigo mesma, aquela pessoa que a
minha querida Inês me fala que vai ser a única que vai estar lá no fim de tudo.
Eu sou isso, a mulher que se deita com um homem das ciências por adorar que
nunca ponha fim aos seus argumentos humanísticos e que por isso, e por ele ser
extremamente bonito também, afirma convictamente que se apaixonou e por isso não
lhe pode dizer que não, só mais desta vez… também sou a mulher sensata que tem
um amigo com quem dorme depois de ouvir a chorar a mágoa do seu relacionamento
fracassado. Sou também a mulher que não gosta de homens, por gostar de todos. Cada
um em sua valência, cada um na sua esfera e no raio que o seu âmbito lhe
permite. Gosto do meu amigo que viveu em Angola até ao ano passado por me
encaminhar numa conversa deliciosa. Gosto do L porque a textura da pele da parte
de trás das orelhas dele é a coisa mais incrível que já senti com os meus dedos.
É delicada e ensinou-me uma forma de
amor muito bonita, que acho que nunca vou saber alimentar, mas em todo caso…
ela está aí. Gosto do Ç, que gosta de mim. Muito de facto, mesmo muito.
Gosto de beber vinho e comer amêndoas com ele, de ouvir os seus preceitos de
ensinamento chinês. Engraçado como dormimos juntos e bêbedos várias vezes na
mesma cama e em como não houve sexo, nem necessidade disso parece-me. Gosto do G que é um puto com quem gosto de dar umas voltas porque a volta dele é
realmente interessante, desafiadora; é aliciante ensiná-lo, explicar-lhe que se
voltar a contar aos amigos que quase me fodeu, vai ter problemas sérios porque
comigo as coisas não funcionam assim… no entanto, gostava que ele estivesse ali
no sofá ao lado deste onde me sento, ia rir com certeza e teria a sua piada,
como de costume.
De ti, gosto sem saber porquê. Aliás, todos os porquês me
dizem para esquecer isso, que não vale a pena, que o que foi foi e não volta
mais. Mas o teu cheiro persegue-me para onde quer que vá, e se o ignorar, o que
ele faz é subir do meu nariz até ao meu cérebro, já que às explosões que faz
acontecer no meu coração eu não ligo. Tenho saudades tuas, do nosso
entendimento quase celestial. Apesar de nada na minha vida querer que tu
estejas lá para ver, continuo a amar-te meu querido. Acho que o mais engraçado
é mesmo saber que és do género de homens que não suporta mulheres como eu, as
que dormem com o homem das ciências e ameaçam o puto para que ele não conte aos
amigos. Eu sei que me amas também, amar-nos-emos para sempre e disso, também
sei que sabes, assim como sabes esse género de mulher que sou. Perdoa-me mas
não ignores que te perdoo todos os dias também, por tantas outras coisas que se
assemelham e não à crueldade que cometi contigo. Tu és mesmo daquelas doenças que não têm
cura, e eu realmente já não sei o que fazer com o que sinto por ti. Por todos
aqueles sei como me sinto, o que me fazem, porque acontece. Contigo… só quero
que volte atrás e que naquela passagem de ano, eu cheirasse também uma linha de
MD contigo. Compreender-te-ia, aglutinar-nos-íamos e mais que um texto, uma
música ou um quadro, faríamos uma história feliz ao nosso jeito, que é nosso e
de mais ninguém.
Tenho de vir aqui apontar isto, para o caso de algum dia me
esquecer.
O Deau perguntou-me o nome durante o concerto e até tive
direito a um freestyle só para mim; lembro-me de corar várias vezes com as
picardias que me ia lançando num tom sexy e intimista, mas não me lembro nem de
um verso seguido. Ficava contente se encontrasse um vídeo desse momento perdido
por aí. Se não estivesse tao bêbeda talvez tivesse filmado eu própria, mas
fiquei boquiaberta e não deu.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
"açucar
tu para mim não és mais de açucar...
e eu queria tanto estar contigo,
podia até ser por baixo de ti.
a minha vida vai ficando mais curta
e o meu desejo está sempre a mudar
é isso que eu sou
se durmo só com uma ás vezes sonho com mais de mil
ajudar eu posso te ajudar,
eis o meu plano:
tu fazes de conta e eu torço para que me enganes bem
eu já notei nenhum de nós é aquilo que diz
e o que temos em comum é que eu pretendo tanto quanto tu...
ser ainda mais feliz,
mãos no chão,
boca aqui,
pés na mão
e eu em ti
e tu em ti
filma assim,
filma tu,
eu nu"
Manuel Cruz, "Acorda Mulher"
tu para mim não és mais de açucar...
e eu queria tanto estar contigo,
podia até ser por baixo de ti.
a minha vida vai ficando mais curta
e o meu desejo está sempre a mudar
é isso que eu sou
se durmo só com uma ás vezes sonho com mais de mil
ajudar eu posso te ajudar,
eis o meu plano:
tu fazes de conta e eu torço para que me enganes bem
eu já notei nenhum de nós é aquilo que diz
e o que temos em comum é que eu pretendo tanto quanto tu...
ser ainda mais feliz,
mãos no chão,
boca aqui,
pés na mão
e eu em ti
e tu em ti
filma assim,
filma tu,
eu nu"
Manuel Cruz, "Acorda Mulher"
terça-feira, 24 de abril de 2012
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Ofereceram-me uma agenda. Gosto dela, muda de capa consoante
as estações e o mês de Julho é vermelho às riscas, é uma cor alegre e gosto do
meu aniversário estar associado ao Verão, é algo a que sempre atribuí emoções
positivas e gosto que coisas comprovem isso. Coisas… factos! Como gosto que
aconteça com o número 3. Costumava ser o número 3 na escola e para além de ter
nascido em 1993, lembro-me particularmente do ano 2003 porque teve imensas
controvérsias. Mas o meu cão nasceu nesse ano, e o meu primo também. Não
interessa, gosto da agenda! Foi o meu outro padrinho que aconselhou a minha
madrinha, e perante argumentos até interessantes como eu ser caloira e precisar
de organizar os estudos e as obrigações restantes. Hoje decidi realmente
acolhe-la como minha e registar algumas de facto-obrigações, de como é a exemplo
a minha frequência de Introdução ao Pensamento Jurídico Contemporâneo que é
quarta-feira.
Ainda não li nem metade da matéria mas sei que me estou a
sair bem. Se ler tudo e compreender como fiz até à parte em que estou, sei que
vou tirar boa nota. Devo isso a alguns genes não identificados, mas em todo o
caso, obrigada pai-obrigada mãe. Mas confesso que me preocupo em escolher o
método mais eficaz, menos penoso e mais com vista ao fim que se prossegue
possível. Só que tudo numa questão de
tempo mais apertada. Até se sentir que “é agora” nunca se faz nada.
E eu decidi que é
agora.
O meu querido Adrien dizia-me que as pessoas têm de ter um
núcleo dentro de si que preservem, que seja repleto do que de melhor e mais
sensível se sabe sobre a vida e sobre as coisas em geral. Ele cultiva-o a ler,
e diz sinceramente que não poderia aguentar Street Life sem se auto-confrontar diariamente
com outro universo. A nossa conversa era sobre linguagem, palavras, saber falar.
Ele sabe falar muito bem, tão bem como eu. Mas agora aplico essa ideia do
núcleo essencial no interior da nossa mente para explicar que ao estar ao lado
dele, não consigo guiar-me como eu sou, e como esse tal núcleo defende que
seja. Isso projecta-se em imensas situações e uma delas é flagrante, o que me
faz estranhar aquela frieza de quem me diz que não quer saber o porquê,
apenas percebe que não é para ser. Claramente que me sinto uma otária, por ter sido eu
a propor o contrato e ser eu a falhar com a minha parte. Lamento isso, mas
quando me encontro com o meu núcleo, garanto que ele me oferece o copo em tom
de brinde e sussurra… “à nossa!”
Subscrever:
Mensagens (Atom)

