quinta-feira, 17 de maio de 2012


Enquanto almoçava com um amigo e ele me contava como eram as paisagens de Angola, de como o racismo era a realidade presente “nas casas, nas ruas, nas pontes…”, dizia-me ele também que acha que vai morrer sozinho porque nunca ninguém o irá aturar à mesa. Demora talvez hora e meia num simples prato de filetes com arroz, mas continuo a achar-me um caso mais grave por demorar uma vida a saber entender-me.
Voltei a chorar de saudades do amor da minha vida que mandei pela janela. Faz isto sentido? Não faz. Tenho um grande amigo, o Y, que costuma dizer que nós os dois juntos na cama a beber whisky daríamos um quadro, uma música, um poema e até uma escultura. É interessante o nível de sinceridade que atingimos juntos, não sei se pela facilidade com que nos rimos do facto de jamais virmos um dia a ser um casal, se pela beleza da nossa relação assentar nessa amizade com atracção e sem ciúme que agora, já mais crescidos do que no primeiro beijo, descobrimos que existe e que é sublime, de facto. Sinto-me calma depois de ter sexo com ele, parece que a nossa química significa estarmos sempre prometidos a alguém, e hipocrisias à parte, toda gente no mundo gosta desse feeling.
Voltei a dormir com o X e odeio-me por isso. Odeio-me por me ter apaixonado e não saber recusar pôr-me de joelhos à frente dele porque gosto de facto dele, dos seus olhos verdes e da sua voz marcada pela tequilla… gosto daquele quarto. Meu deus, como gosto do calor daquele quarto. Traçou-me a capa e disse-me que me queria feliz e não subordinada como sou com ele, que não me pode ver de longe que já me quer perto. Mas nenhuma dessas palavras me fez apagar a raiva que senti quando me vesti e acalmei a agitação do álcool no meu sangue. Não o quero ver mais, perfeição do demónio que me leva para a cama a seu belo prazer e mais grave, sabe disso…  nem quis acreditar que tinha voltado a cair na esparrela. Ou melhor, não quis acreditar que ele achasse que quem canta o cântico das sereias sou eu. Pediu-me que prometesse  que aquela era a ultima vez que estávamos juntos, pelo menos nus. Gritei com ele, bati-lhe e só não chorei por vergonha. Eu sinto-me enfeitiçada pelo seu discurso inteligente mas sou solteira, durmo com quem eu quero e lidar com as consequências morais disso só no âmbito do meu interior, não tenho ninguém em casa à minha espera a quem vou ter de mentir. Ele tem e por isso, que se amanhe e mais importante, que se afaste de mim pelo amor de deus.
Voltei a entrar em apatia. Verifiquei se seria sintoma pré-mestrual e ainda bem que o fiz, porque o era realmente. Fechei os olhos, acendi um cigarro enquanto desejava que fosse uma ganza e caí em mim por momentos. Breves instantes em que me deparei comigo mesma, aquela pessoa que a minha querida Inês me fala que vai ser a única que vai estar lá no fim de tudo. Eu sou isso, a mulher que se deita com um homem das ciências por adorar que nunca ponha fim aos seus argumentos humanísticos e que por isso, e por ele ser extremamente bonito também, afirma convictamente que se apaixonou e por isso não lhe pode dizer que não, só mais desta vez… também sou a mulher sensata que tem um amigo com quem dorme depois de ouvir a chorar a mágoa do seu relacionamento fracassado. Sou também a mulher que não gosta de homens, por gostar de todos. Cada um em sua valência, cada um na sua esfera e no raio que o seu âmbito lhe permite. Gosto do meu amigo que viveu em Angola até ao ano passado por me encaminhar numa conversa deliciosa. Gosto do L porque a textura da pele da parte de trás das orelhas dele é a coisa mais incrível que já senti com os meus dedos.  É delicada e ensinou-me uma forma de amor muito bonita, que acho que nunca vou saber alimentar, mas em todo caso… ela está aí. Gosto do Ç, que gosta de mim. Muito de facto, mesmo muito. Gosto de beber vinho e comer amêndoas com ele, de ouvir os seus preceitos de ensinamento chinês. Engraçado como dormimos juntos e bêbedos várias vezes na mesma cama e em como não houve sexo, nem necessidade disso parece-me. Gosto do G que é um puto com quem gosto de dar umas voltas porque a volta dele é realmente interessante, desafiadora; é aliciante ensiná-lo, explicar-lhe que se voltar a contar aos amigos que quase me fodeu, vai ter problemas sérios porque comigo as coisas não funcionam assim… no entanto, gostava que ele estivesse ali no sofá ao lado deste onde me sento, ia rir com certeza e teria a sua piada, como de costume.
De ti, gosto sem saber porquê. Aliás, todos os porquês me dizem para esquecer isso, que não vale a pena, que o que foi foi e não volta mais. Mas o teu cheiro persegue-me para onde quer que vá, e se o ignorar, o que ele faz é subir do meu nariz até ao meu cérebro, já que às explosões que faz acontecer no meu coração eu não ligo. Tenho saudades tuas, do nosso entendimento quase celestial. Apesar de nada na minha vida querer que tu estejas lá para ver, continuo a amar-te meu querido. Acho que o mais engraçado é mesmo saber que és do género de homens que não suporta mulheres como eu, as que dormem com o homem das ciências e ameaçam o puto para que ele não conte aos amigos. Eu sei que me amas também, amar-nos-emos para sempre e disso, também sei que sabes, assim como sabes esse género de mulher que sou. Perdoa-me mas não ignores que te perdoo todos os dias também, por tantas outras coisas que se assemelham e não à crueldade que cometi contigo.  Tu és mesmo daquelas doenças que não têm cura, e eu realmente já não sei o que fazer com o que sinto por ti. Por todos aqueles sei como me sinto, o que me fazem, porque acontece. Contigo… só quero que volte atrás e que naquela passagem de ano, eu cheirasse também uma linha de MD contigo. Compreender-te-ia, aglutinar-nos-íamos e mais que um texto, uma música ou um quadro, faríamos uma história feliz ao nosso jeito, que é nosso e de mais ninguém. 

Tenho de vir aqui apontar isto, para o caso de algum dia me esquecer.
O Deau perguntou-me o nome durante o concerto e até tive direito a um freestyle só para mim; lembro-me de corar várias vezes com as picardias que me ia lançando num tom sexy e intimista, mas não me lembro nem de um verso seguido. Ficava contente se encontrasse um vídeo desse momento perdido por aí. Se não estivesse tao bêbeda talvez tivesse filmado eu própria, mas fiquei boquiaberta e não deu.  

sexta-feira, 11 de maio de 2012

"açucar 
tu para mim não és mais de açucar...
e eu queria tanto estar contigo,
podia até ser por baixo de ti.


 a minha vida vai ficando mais curta 
e o meu desejo está sempre a mudar 
é isso que eu sou 
se durmo só com uma ás vezes sonho com mais de mil 


ajudar eu posso te ajudar,
eis o meu plano:
tu fazes de conta e eu torço para que me enganes bem 
eu já notei nenhum de nós é aquilo que diz 
e o que temos em comum é que eu pretendo tanto quanto tu...
ser ainda mais feliz,
mãos no chão,
boca aqui,
pés na mão
e eu em ti
e tu em ti 
filma assim,
filma tu,
eu nu"


Manuel Cruz, "Acorda Mulher" 

terça-feira, 24 de abril de 2012

‎"Um brinde aos meus defeitos, porque com as minhas qualidades ninguém se importa mesmo."

segunda-feira, 9 de abril de 2012


Ofereceram-me uma agenda. Gosto dela, muda de capa consoante as estações e o mês de Julho é vermelho às riscas, é uma cor alegre e gosto do meu aniversário estar associado ao Verão, é algo a que sempre atribuí emoções positivas e gosto que coisas comprovem isso. Coisas… factos! Como gosto que aconteça com o número 3. Costumava ser o número 3 na escola e para além de ter nascido em 1993, lembro-me particularmente do ano 2003 porque teve imensas controvérsias. Mas o meu cão nasceu nesse ano, e o meu primo também. Não interessa, gosto da agenda! Foi o meu outro padrinho que aconselhou a minha madrinha, e perante argumentos até interessantes como eu ser caloira e precisar de organizar os estudos e as obrigações restantes. Hoje decidi realmente acolhe-la como minha e registar algumas de facto-obrigações, de como é a exemplo a minha frequência de Introdução ao Pensamento Jurídico Contemporâneo que é quarta-feira.
Ainda não li nem metade da matéria mas sei que me estou a sair bem. Se ler tudo e compreender como fiz até à parte em que estou, sei que vou tirar boa nota. Devo isso a alguns genes não identificados, mas em todo o caso, obrigada pai-obrigada mãe. Mas confesso que me preocupo em escolher o método mais eficaz, menos penoso e mais com vista ao fim que se prossegue possível.  Só que tudo numa questão de tempo mais apertada. Até se sentir que “é agora” nunca se faz nada.
 E eu decidi que é agora.
O meu querido Adrien dizia-me que as pessoas têm de ter um núcleo dentro de si que preservem, que seja repleto do que de melhor e mais sensível se sabe sobre a vida e sobre as coisas em geral. Ele cultiva-o a ler, e diz sinceramente que não poderia aguentar Street Life sem se auto-confrontar diariamente com outro universo. A nossa conversa era sobre linguagem, palavras, saber falar. Ele sabe falar muito bem, tão bem como eu. Mas agora aplico essa ideia do núcleo essencial no interior da nossa mente para explicar que ao estar ao lado dele, não consigo guiar-me como eu sou, e como esse tal núcleo defende que seja. Isso projecta-se em imensas situações e uma delas é flagrante, o que me faz estranhar aquela frieza de quem me diz que não quer saber o porquê, apenas  percebe que não é para ser. Claramente que me sinto uma otária, por ter sido eu a propor o contrato e ser eu a falhar com a minha parte. Lamento isso, mas quando me encontro com o meu núcleo, garanto que ele me oferece o copo em tom de brinde e sussurra… “à nossa!” 

domingo, 8 de abril de 2012

"And then I go and spoil it all by saying something stupid like "I love you"(...)"


Frank Sinatra, "Something Stupid" 

domingo, 25 de março de 2012

fico com a dúvida indestrutível de saber se é correcto isto de ceder ao conforto de quem já sabe o que a casa gasta

quarta-feira, 14 de março de 2012

Mandei um suspiro daqueles. Sabem, aqueles suspiros. E foi estranho de início… primeiro estranha-se e depois entranha-se. Sente-se, percebe-se que é raro suspirar daquela forma mas mais que isso, entende-se que a questão não é essa; é fazer sentido, encaixar. Porquê fazer um puzzle sem começar por separar as peças que compõem a lateral das restantes.

Mas as coisas não são bem assim. Gosto de me sentar no sofá e fechar os olhos enquanto vivo calorosamente aquele sentimento de quem ainda tem a moeda na mão porque não comprou nenhum bolo. Ainda é possível comprar todos os bolos do mundo, com a moeda na mão. Esse cruzamento é dos momentos mais interessantes do nosso percurso.

Fui às aulas hoje. A uma aula. Das que custam, atenção. Não entendi nada, doeu-me a cabeça. Queria fumar mas quando pude fumar já não queria. Agora até os meus vícios têm caprichos, devo estar a perder o controlo sobre mim própria! É, só entendo as coisas quando o quotidiano me revela os seus sintomas. Às vezes chegam a doer, como os sintomas convencionais de patologias. Conheci um rapaz que vai ser médico e mede a tensão arterial aos amigos, jogou poker com uns óculos de sol sem lentes. E ganhou! É um bom rapaz, não é bonito. Ou talvez seja, não sei… vai ser médico, que bom. Peguei num livro de patologia em casa de um outro amigo, daí ter-me lembrado do Filipe que vai ser médico. Descobri que a minha memória não falha, às vezes não consigo é desencadear o processo de me lembrar das coisas. A Inês diz que demoro imenso tempo a arrumar as minhas coisas, que se quer ir embora e já nem dá tempo para beber café. ELA QUER SEMPRE BEBER CAFÉ! (tu sabes!) Devia parar com isto, faço tudo como sinto e depois racionalizo, +(-)= - toda gente sabe.

sábado, 10 de março de 2012

second time, actually

"deine augen sind wie sterne"

quarta-feira, 7 de março de 2012

tudo o que ensinaste, tudo o que te mostrei, tudo o que senti, tudo o que me fizeste chorar de emoção... nada disso cabe em nenhum conceito como o de "namorado" nem mesmo o de "amor da minha vida". és mais, sempre mais, e sei que nunca vou esquecer que é só encostar a cabeça no teu peito e logo tudo à volta se torna mais fácil, menos doloroso, mais feliz.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Ando a chegar a um existencialismo complicado. Comentei isso com um amigo a caminho de Espanha no domingo passado. Não sei bem o que me atormenta mas a isso já eu estou acostumada. Sei que tenho o dom de atormentar outras vidas que me circundam, e também sei que não meço bem a intensidade que isso traz consigo. Enquanto conversava com a talvez minha melhor amiga, ela ocupava-se do jogo perigoso que é o de me convencer das minhas capacidades mas por incrível que pareça, não foi muito frutífero. Entrei numa apatia para a qual não tenho solução; há aspectos na minha vida que gostava que estivessem noutro ponto da situação, ou que pelo menos, eu tivesse feito algo para que isso acontecesse.

Experimentei novas sensações. O sangue frio da cocaína trouxe-me à tona alguns medos, como o de ter medo. Todos os meus debates interiores, por muito variados que sejam, terminam invariavelmente na conclusão que só um meio-termo é resposta à boa forma de fazer as coisas. Essa minha amiga aconselhava-me a escrever crónicas para jornais, nem que fosse para ler o meu nome num jornal de renome. Pelo meio, ia-me contando a dor que a persegue em não conseguir descomprimir-se, aquela tendência para o autocontrolo que quase roça no doentio, e eu ia-a aconselhando de que uns bagaços a fariam olhar-se ao espelho e descobrir coisas sobre ela própria. Dou muito valor a experiencias que desencadeiem conclusões fortes e sem palavras que as expliquem, por isso mesmo atribuo tanta importância às minhas experiencias com drogas. Mas agora sinto necessária uma certa lavagem emocional e até factual, isto é, uma limpeza orgânica propriamente dita. Vou experimentar ficar afastada de certas drogas durante uns tempos. E o sexo é uma delas. Há uns tempos despi-me para um homem enquanto ele se masturbava e gritava que me queria “foder até não conseguir mais”. Adorei. Ia sorrindo enquanto me tocava também, mas isso quase soou secundário porque não consegui desviar o olhar daquele ar de prazer total que o pequeno bastardo expirava. Desde esse dia que percebi que se algum dia acontecer eu descobrir o que é mandar um risco de cocaína e foder (ser fodida vá) logo depois, me perco para sempre. Desisto do meu curso e dos meus ideais e vou deambular por aí como tanto ameaço. Com isto quero explicar que conheci o limite do EGO na sua luta contra o ID, e desde então não quero sucumbir ao prazer. É doentio também, como a Marina que sucumbe ao auto-controlo. Um dos extremos nunca será uma resposta saudável a nenhuma questão, nem mesmo naquele momento em que preferia que ele se tivesse vindo na minha boca do que se tivesse controlado quase abruptamente só para me “foder até não conseguir mais”.

Por falar em boas fodas, tenho sonhado com o Afonso. Mata-me isto de ter experimentado o medo de ser rejeitada, sobretudo depois de me teres dito que sou fria na cama. Não era nada disso que te queria dar, e não seria nada disso que eu queria dar ao Afonso também provavelmente. Como tal, é mesmo melhor ficar no meu canto do que ir contar-lhe que me apaixonei mesmo não sabendo agir como uma apaixonada. E isto sim é doentio, mas (com muita pena minha, sublinhe-se) não sei de facto ser romântica nesse conceito que as massas conhecem. Com ele poderia ser tão romântica como ele foi sem saber; o meu inconsciente provavelmente também faria com que o abraçasse enquanto dormia. É ridículo mas o arrepio que senti nesse momento em que acordo na cama de um desconhecido e quando penso em levantar-me antes que ele acorde, ele me puxa para si e enrola as mãos à volta do meu pescoço, há-de ficar presente na minha memória por muito tempo. Apaixonei-me naquele segundo, acredito muito nisso. Mas não, não vou abanar a vida dele porque sou uma otária que não sabe atribuir importância às coisas e se aborrece com mais rapidez do que se interessa. Vou continuar neste castelo frio e vazio que é a minha consciência e acho que, não é que seja intencional, só se vai quebrar quando o encontrar na rua e ouvir algo como “porque é que não me disseste mais nada, tenho pensado tanto em ti”. Como isso nunca vai acontecer, vou continuar a contentar-me com o prazer carnal de me ver alguém masturbar-se à minha frente e por minha causa.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

tenho dois focos de calor na cabeça, na zona atrás das orelhas. tremi de frio e eles continuaram lá. preciso de dormir 12h, alimentar-me decentemente e descansar muito. muiiiiiitooooo....!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012



primeira quinta-feira do semestre.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

"I feel that you shouldn't get involved in an intimate relationship
Until you are emotionally mature enough to handle it totally
Able to cope with your feelings and your sexuality
Without guilt, inhabition or phoniness
But with love, tenderness and honesty"

Lovage, "To Catch a Thief"

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

o teu cheiro nos meus pulsos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

domingo, 5 de fevereiro de 2012

para ti caro anónimo

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012





sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

“Não desistas B, tu sabes o quão especial és, tu sabes que vais conseguir o que queres, não tenhas medo nem andes de cabeça baixa na rua; mereces mais, podes mais”

Mimos*