domingo, 27 de novembro de 2011

Tenho coisas confusas dentro de mim. Acho, no meu pouco fundamento para achar o que quer que seja, que são reflexos de conclusões também confusas que surgiram de histórias/factos ainda mais confusos. Portanto seria fácil acabar com isto já no primeiro parágrafo e afirmar-me apenas como fruto do caos.
Não sei se consigo admitir que a Natureza perfeita é simultaneamente a criadora do caos que é o Homem. E é por isso que hei-de continuar por mais uns parágrafos por aqui abaixo. Mas mesmo que não decidisse isto de configurar o que me corre nas entranhas em palavras escritas e formatadas digitalmente, continuaria a ter esta dúvida dentro de mim: porque é que a beleza do mundo consiste em acordar todos os dias e fazer (novamente) um esforço para contrariar a natural tendência do Homem para a desordem? Não quero ordem nenhuma que me regulamente. Aceito que ela exista mas ela não me é querida. Nunca desejei nenhuma segunda-natureza que complete a minha incompletude. Gosto de ser imperfeita. BOLAS, se gosto de ser imperfeita porque é que insisto em acordar todos os dias e esforçar-me para ser um pouco menos desordenada?
É por estas e por outras que admiro um grande amigo meu, que depois de admitir que “se fosse hoje”, não me teria rodado aquele charro, também confessa que acha que se sente bem, mas se pensar durante 5 segundos na veracidade dessa afirmação, rapidamente fica mal com ele próprio. As drogas marcaram de facto a pessoa que eu sou. Mas as minhas reflexões acerca do meu estado psico-emocional marcaram por igual. Na mesma medida, arrisco-me (e acreditem que é um risco de facto complexo). Está legitimado este texto: eis uma redundância que explica universal e necessariamente isto de me sentir confusa. Interessante é que sempre detestei redundâncias, só me serviam nos exames porque a minha facilidade em falar sobre um assunto é algo que até eu própria admiro. Mas agora tenho uma redundância a servir de lógica irrefutável.
Continuando nisto de analisar premissas que me conduzam a uma conclusão lógica, é também fácil entender que se eu não problematizasse tanta coisa talvez fosse mais feliz. Ups, agora falhei… um “talvez” não pode entrar numa análise deste género. As coisas ou são ou não são. Às vezes nós os desordenados seres humanos gostamos de prolongar este processo de decisão entre o que é e o que não é, nunca foi e jamais poderá ser. Nesta situação englobo-te, por exemplo, a ti. Chamas-te Manel mas sei pouco mais do que isso. E queres saber porque não sei eu mais nada? Porque não quis. Olhando agora, digo sinceramente (na verdadeira acepção da palavra “sincero”), que não consegui saber mais, não consegui dar-te NADA de mim, e é isso que me magoa agora na despedida. Não são os factos óbvios que revelam o não-sentido da nossa relação que me doem. Dói-me que eles existam porque não soube ser eu à tua frente. Embora achasse realmente que estava a sê-lo…
Eish. Entendo que vocês (corajosos!) que chegaram até este parágrafo, não estejam a entender nada do que eu forçosamente tento aqui explicar. Não só porque ganhei esta mania das palavras elaboradas e das frases compridas, como porque de facto não há nada de muito entendível dentro da minha mente neste momento. E por isso sintam-se felizes, porque estão exactamente no ponto em que eu estou e por isso, necessariamente já me estão a compreender. Sintam-se vocês mas sinta-me também eu feliz porque sem saber o rumo que estas palavras iam tomar, tendo consciência da dificuldade que seria explicar-me e acarretando o peso que é para mim não estar certa do que digo, finalmente consegui que alguém me entendesse. Ahahah alguém? Sim, se tu meu querido alguém chegaste até este ponto deste texto, por favor manifesta-te porque vou gostar de beber um café contigo. Com estas letras pequenas do meu blog que insisto (mesmo insistentemente) em manter, com estas frases que parecem parágrafos e com estas ideias tão desordenadas, admiro-te mesmo por teres chegado até aqui. Eu não o faria, nem que de literatura interessante se tratasse, até porque detesto ler no computador.
Olhei para a minha secretária de repente e pensei que falta um mês e que tenho uns enormes livros para devorar. Pior que isso foi ainda reparar no acórdão do Tribunal Constitucional que teria de ler para amanhã. Enfim, não o fiz. Detesto não cumprir metas. E se eu não acabar isto? E se eu não quiser Direito nunca mais? E se eu pegar em mim e nos 50€ que me restam e fosse… deambular por aí?
A ordem que me regulamenta, a segunda-natureza que completa a minha incompletude, com certeza que não me diria que não. Sou eu, enquanto eu e tudo o que isso comporta, que não o quero fazer. Então porquê esta raiva contra o que me é imposto? Eu faço mesmo o que quero. Posso não poder sair nua à rua porque para além de socialmente condenável era mesmo juridicamente assinalável. Mas continuo a poder sair nua de pensamentos negros, e isso ninguém me proíbe. Isso sou só eu que não consigo… como não consegui contigo Manel, como não consigo contigo meu irmão/herói, como não consigo com vocês pares que todos os dias se sentam comigo naquele auditório imenso.
Tudo o que eu não for capaz de fazer há-de ser culpa minha e isto é uma conclusão em directo, pois garanto que o propósito deste texto era mesmo desculpabilizar-me em palavras aquilo que a minha culpa me grita aos ouvidos.

3 comentários:

Constança Perez disse...

esta noite vem sentar-te comigo na janela do meu quarto e trás uma chávena de café da nossa maravilhosa máquina

Anónimo disse...

Sublime *

Manel disse...

Vamos!!!

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Mimos*